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sábado, 9 de março de 2013

De criador para Criador





















Sou criador dos meus anseios
Criador dos meus defeitos e costumes,
gestos,
Asneiras,
Metas,
Amores
Sou criador do meu egoísmo,
Maldade,
Displicência,
Insanidade,
Criei o que digo afeto
A competição
e a ambição
Sou criador do que sou
ou para o lugar onde vou
Até mesmo, onde estive
Criei , de fato, o que desejo,
Tenho tesão
e tudo que abro mão
até os motivos dessa passividade



Sou criador do Criador  ...









?

Notlim Santiago




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Brado com fogo na mão

 


Deus...
Deus das metades de um só lado,
Deus que mantém o bem e o mal equilibrado,
Alonga um pouco mais esse pavio,
Não permite a implosão desse pobre espírito senil.









Santiago

sábado, 7 de julho de 2012

Pérola do céu

















O otimista não sabe o que o espera. Millôr Fernandes.

Aquele alemão proclamador das “boas novas”, o mesmo que desqualificara as utopias sociais, difamador das heresias eclesiais, questionador das sociedades patriarcais, já dizia desesperado, desolado e atormentado:
- Clamei e salvei a minha alma (clamavi et salvavi animam meam). Karl Marx.
Os venerados tolos, raça de bobos da corte, regozijam-se perante a insana estupidez; esquecer-se-ão daquilo que envoltos estão: a barbárie. 
Ó cigana dos meus desejos, aspiro pela tua doce presença; ó cigana como te espero, da corda que me sufoca tu que exploras com muito esmero; elevo meus olhares a ti. 
Esta corda que me sufoca, mas de modo algum me faz postergar tais ilusões milenares que me cercam; e por ti espero cigana que da corda me libertará. 
Sinto-me só, alguns dizem que a solidão é uma dádiva. Ora, mais um alemão teima em aparecer neste nosso diálogo; eis que surge Arthur Schopenhauer:
- A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais. 
Mas continuo a teimar e crer na sua vinda. Preciso livrar-me deste peso que me definha, deste fardo que agonia, desta angústia que a mim não trairia. Parece-me mesmo que quanto mais elevado é o espírito mais ele sofre. 
Finalmente chega o dia, outro alemão já me dizia – seja quem tu és. Deleito-me em mais um conselho pessimista, desta vez é do F. Nietzsche que desta prosa jamais faltaria.
 O dançar da cigana é a ratificação que sem a música a vida seria mesmo um erro; espero que me liberte dançando, num estado de pureza espiritual; e de mim possa fazer o que bem entender. Mas que do teu corpo ávido eu possa regozijar-me como uma pérola do céu. 
Mas saiba cigana que contigo ou sem ti eu viverei, para não ser apenas mais um que, segundo Oscar Wilde, apenas existe. 


Osnar Gomes.

quinta-feira, 1 de março de 2012

"Deus é o nome. O sentido a esse nome é pessoal a cada um de nós."









                                                                                  Notlim Santiago de Aguiar //Em dias de conflito

domingo, 6 de novembro de 2011

Terra que nos abraça!








O que esperar do sentimento do homem em relação à Terra? Como viver num mundo de proliferações de agonia; de divulgação demasiada de infortúnios; de especuladores financeiros gananciosos, que ousam em destruir países e vidas – para salvar os bancos, a população grega está em um estado infernal: fome, desemprego, doença e suicídio, este último já aumentou 40%; um mundo de prepotência por parte dos poderosos; de humilhação aos pobres; de marginalização constante as diferenças; sendo assim, conseguiremos suportar a tudo isso; e, ainda, louvar esta mesma Terra geradora de aparvalhados que negam seus irmãos?
Mesmo que não seja de todo pessimismo, mas um sufocante realismo, podemos e devemos trabalhar na reconstrução desta mãe Terra, pois se assim fizermos, conquistaremos o maior dos status do ser humano: o status de bem-aventurados! Quando ganharmos tal posição, de bem-aventurados, o mundo irá conspirar ao nosso favor; afastem-se das reclamações e estimulem-se para colher os frutos da vossa realização, este estímulo ganhará contornos, os quais serão animados em todas as direções, fazendo surgir um novo homem, não mais movido ao lucro e a ganância; a desmoralização e a prepotência; mas um homem movido pelo amor que tem à vida e aos outros homens, os quais irão se completar mutuamente, de modo que renascerá aquilo que é natural no intimo do ser humano, mas que perdemos por pouco caso: o amor à Terra, o amor à Vida, o amor ao Homem.
Transcenderemos todos nós; viveremos nossa plenitude sem postergação; amaremos e seremos amados; entenderemos e seremos entendidos; perdoaremos e seremos perdoados; e essa busca, sem satanizações ou exclusões triviais por nenhuma parte, nos fará dignos de vida, dignos de agraciamento da mãe Terra, da bondosa mãe Terra, desta Terra que nos abraça!
“Fui atrás de Deus, não o encontrei; fui atrás de mim, não me encontrei; fui atrás do próximo, encontrei os três.” Velho dito popular.


Osnar Gomes dos Santos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Recriar o paraíso agora, para merecer quem vem depois

   
   No meio de diversas reflexões sobre a salvação da Terra, sobressai sempre aquelas que diz para não termos esperança, nem guardarmos sentimentos para este mundo material, pois ele jaz do maligno e habita todo o pecado do homem; um mundo impuro habitado por impuros que se conseguirem seguir as leis de Moisés ou manter a pureza espiritual, mesmo que mínima, ficarão puros, se libertarão e, assim sendo, poderão herdar o reino dos céus.
 Não venho redigir para criticar tal posição, nem muito menos levantar uma discussão sobre a existência do paraíso, até porque como eu já falava: "depois da morte é assunto de Deus", venho sim enfocar o perigo que estas afirmações de satanização à Terra e ao homem podem causar.
   Marx, certa vez, contrariou os religiosos mais exaltados quando afirmou que "a religião é o ópio do povo"; eu, como cristão, venho reconhecer a legitimidade desta complexa reflexão de Marx, sem abstraí-la, como fizeram os mais ortodoxos e absolutistas religiosos da sua época - e por incrível que pareça, ainda hoje há religiosos que continua a satanizar a obra marxiana, vejamos o exemplo de Dom Luciano José Cabral Duarte, que denominou o marxismo de antiteísta, entre tantos outros eclesiásticos!
  Marx suscitou um manifesto que implicava diretamente com as atribuições de satanização da Igreja a este mundo e ao homem pertencente a ele. Nesta perspectiva a Igreja servia para acalmar as massas, fazendo-as rejeitar este mundo material e pecaminoso, só se preocupando com seu quinhão no reino de Deus, onipresente e onipotente. Se analisarmos bem a reflexão de Marx, ele se acobertava da razão, uma vez que foi contemporâneo de uma Igreja que apresentava as verdades absolutas e inquestionáveis, além de desanimar os que desejavam sublevar-se contra o Estado, utilizando discursos, como. "Dai a César o que é de César; dai a Deus o que é de Deus", levando os pobres e explorados ao conformismo, utilizando o discurso de que eles eram os únicos capazes de entrar no reino de Deus, pois pagavam as indulgências, além de outros que afirmavam a incompatibilidade dos ricos entrarem no reino de Deus! Então pra quê se rebelar nesta Terra, se depois da morte terei fartura num mundo de gozo eterno? Portanto, essa era a grande crítica de Marx à religião, quando esta implicava com o direito do homem se indignar neste mundo do jeito que ele é, tentando transformá-lo.
   Contudo, Marx nunca negou a contribuição dos cristãos como aliados nas suas defesas, jamais deixou de aceitar cristãos para sublevar-se junto à ele e ao seu fiel companheiro Engels - prova disso eram os rebeldes franceses, em suma maioria cristãos, e também infiltrados no partido de Marx, inúmeros cristãos. A crítica era a onipotência da Igreja, mas não só a ela e sim a tudo que se mostrara onipotente!
   Mas não demoraria muito para a Igreja usar todo seu maquiavelismo e cartesianismo, taxando toda obra de Marx de atéia, demonizando todos os ditos marxistas e seguidores da obra marxiana, ratificando como tem uma excelente performance de abstração, logo "se és marxista, não és mais cristão". Começava aí uma guerra de pensamentos, religiosos e ideológicos, talvez até mais ideológicos por parte dos cristãos mais exaltados e fanáticos, que não aceitavam questionamentos as suas verdades absolutas e irretocáveis.
  Dando uma pausa no tema "marxistas X cristãos", venho manifestar o meu reconhecimento pela contribuição do marxismo para compreensão do homem e de seus meios; das classes sociais; da luta entre elas; das denúncias aos sistemas de imbecilização e fetichismo do ser humano; das lutas pela dignidade; da valorização do homem e do mundo; da utopia pela igualdade social; entre outras qualidades que me permitem redigir este texto não só para exaltar o marxismo, mas também as ciências sociais e o pensamento filosófico baseado na razão. Logo o que se busca é a incessante procura pela verdade, logo à busca por Deus. A negação da razão e da ciência custou caro para a Igreja, muito mais para as milhares de pessoas que foram assassinadas e torturadas por implicarem com suas verdades, poderia a Santa Igreja continuar negando a sabedoria humana? Digo e repito, como cristão, o que todos já sabem e a própria reconhece: a Igreja errou! A negação dos dois campos, filosófico e científico, causaram, causa e poderá causar ainda mais fundamentalismo e fanatismo religioso no seio do ser humano, mas também não peço que esqueçamos o sentimento, é este que dá o ar da graça e a busca pelo impossível.
      Voltando a intolerância da Igreja, creio que muitos marxistas, dito ateus, foram muito mais cristãos em atitudes, do que os fanáticos das catacumbas, que ao contrário dos seus mártires, nada fizeram para trazer à Terra a bondade enraizada no ser humano, e sim culpá-los pelo inigualável pecado de Eva! Se levarmos em consideração o Sermão do Monte de Cristo, podemos observar sua vontade em ver os homens lutar por justiça nesta Terra; leiam isso, que não é um trecho do Manifesto Comunista (se bem que poderia), mas sim a palavra de Jesus de Nazaré. "bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados" ou aquele em que diz. "bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles". Posso-lhes garantir que Jesus mostrara-se engrandecido com aqueles que procuram a verdade, e olha só: a verdade aqui na Terra! Infelizmente procuram abstrair a fala em que Cristo diz que este mundo não é o dele (que me parece uma frase bem interpretativa, diferente do Sermão, que é uma clara incitação à busca pela justiça).
       Talvez o mundo que Jesus disse que não era o dele é o mundo da humilhação, da exploração, da opressão, do espólio à natureza, da fome, da miséria, entre outras anomalias; e quando o mesmo exalta aqueles que lutam por justiça e dignidade nesta Terra, que ele supostamente nega, deixa em evidência sua alegria em ver homens lutando por outros homens, fazendo disto uma virtude cristã e que este mundo, outrora perturbado, venha a ser digno dos filhos de Deus. Mesmo que vocês não acreditem mais na salvação da Terra, não é justo que desviem os olhares desta mãe que te abraça como o pai que abraça o filho pródigo; se acreditam tanto no paraíso, e nas leis que tem que seguir, não irão para lá, pois os omissos e frouxos não são dignos desta dádiva. Como diria o mestre Paulo Freire, grande pensador da Teologia da Libertação. "Eu não posso chegar lá, a não ser a partir de cá".



                                                                                                                                                     Osnar Gomes dos Santos


Título inspirado na música "O sal da Terra", de Beto Guedes.

sábado, 10 de setembro de 2011

Nos fazendo pedreiros

Como criaturas mais bem polidas e bem arquitetadas por Deus, nós, seres humanos, precisamos nos livrar daquilo que nos aprisiona.
Como seres dotados da razão, mas também do sentimento, à partir da busca pelo amor, poderíamos romper com aquilo que nos acorrenta: a ditadura da razão! Esta nos impulsiona ao dogmatismo, a recorrer só ao que parece possível; a razão quando levada ao pé da letra, imcrementa em nosso seio o ceticismo doentil, causando o detrimento da utopia, que, ao contrário, nos empurra ao que parece impossível; nos liberta e acima de tudo faz nascer o verbo acreditar; por conseguinte, esta última, move montanhas.
Por que não pensar em mudar o rumo natural das coisas, como fez Jesus ao saciar a fome daqueles que o escutavam, incitando o ato da repartição? Atitudes individuais culminaram no bem coletivo; e aqueles que sentiam fome, se empanzinaram, depois de feita a socialização!
Como seguir os passos de Cristo e ser moralista? A prática de Jesus ao reconhecer o amor que a samaritana possuía pelo 6º marido, es um ato moralista ou anti-moralista? Ué! Se todo amor decorre de Deus, porque ser moralista e condenar o amor que a samaritana possuía, não pelo 1º, nem 2º marido, mas pelo 6º?! Evidenciando, Jesus foi anti-moralista, respeitando o amor e os antigos amores da samaritana, além de conversar com uma marginalizada como qualquer outra pessoa, que aparentasse ser mais pura!
O porquê da dedicação exclusiva de um dia para Deus, se este Deus te deu todos os dias para ele? Logo, todos os dias são dias santos! O contato espiritual com Deus, nada vale sem o contato corporal com o próximo; pois só chegamos a ele a partir da relação com o próximo.
Um outro problema dos que, por algum motivo, desejam a purificação espiritual, extrapolando o racionalismo: o dogmatismo. Quando Jesus colhia espigas com seus discípulos, os “dogmáticos” fariseus, os recriminaram, pois colhiam num sábado, dia sagrado até então; mas Jesus , mostrara-se também anti-dogmático, retrucando. “O sábado foi feito para o homem; não o homem para o sábado”. Jesus também citara o exemplo de Davi, que, ao passar fome, roubara todos os pães da Santa Igreja; o que parece ainda mais pecaminoso! Estas aí a ratificação do anti-dogmatismo de Cristo, quando este dogmatismo implica nos aspectos fisiológicos do ser humano. Daí a afirmação, bem lembrada pelo meu amigo Douglas, que. “Uma ferida no corpo; es uma ferida na alma”.
Já os fariseus, almejavam a pureza espiritual, enquanto desprezavam a corporal e o mundo material, transformando-se em seres detestáveis e arrogantes, que só se interessavam pelo seu quinhão num mundo paralelo ao dos impuros. Curvavam os olhares aos oprimidos, aos leprosos, enfim, aos excluídos; além de não reconhecer a verdadeira pureza espírito-corporal, que decorria de Jesus de Nazaré – espírito corporal sim, ambos unidos, não separados, como pensavam os fariseus, e como ainda pensam os nossos neofariseus!
Com este texto, convoco todos a não curvar os olhares para este mundo, pois: “se um pobre sofre; é Deus quem sofre”; “se um homem é explorado; é Deus quem é explorado”; “quem corroe a natureza.; este corroe a Deus”; “aquele que fustiga um outro que abrilhanta o mundo; estaras fustigando também a Deus”. Mudemos nossa concepção do que é templo de Deus; o templo de Deus é algo muito complexo. O seu lar, onde tu descansas; es o templo de Deus. Num sindicato onde trabalhadores se unem para requerer direitos trabalhistas, logo direitos humanos; estará aí o templo de Deus. Numa marcha pela vida, por cobranças de direitos, logo por cobrança de emancipação humana; ali estas o templo de Deus. Os gritos ensandecidos pela terra, por trabalho e por comida, logo gritos pela manutenção da vida e pela dignidade; aí estaras o templo de Deus. Num beijo na amada; nas palavras edificantes; na atenção dada ao solitário; num sorriso ao desesperançado; nas mãos que se erguem para levantar o fadigado.. aí está o templo de Deus. Num pedido de desculpas; num conselho sincero; no abraço do pai pelo filho pródigo... ali está Deus, e ali estas seu templo.
Ingênuos os que pensam que o templo resume-se a quatro paredes. Levantem-se para quebrarmos estas paredes, vamos ser pedreiros, não no ato de contruir, mas no ato de desconstruir; como consequência, abriremos este templo para quem quiser entrar.
Nós critãos, não temos nada a perder, só a mordaça ortodoxa a derrubar; temos o mundo a ganhar e homens à libertar!
De Lexotan tranquilizante; para Red Bull estimulante!

Osnar Gomes dos Santos.


Texto inspirado no livro “Fidel e a religião”, do Frei Betto.
Dedico o texto aos meus amigos cristãos ou não cristãos, mas curiosos; em especial àquele que me concedeu redigir este borbulhento texto, para pôr em seu blog: Notlim Santiago!