segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Carta ao meu inestimável Inimigo

ora, nefasto!
és tu, o amor louco?
és a essência em decadência?
és os versos vomitados em linhas tortas sem razão?
és tu, a interrogação que define a obra póstuma do amor?
Afinal, o que pensas tu, da vida?
és o vinho e o violão!
és a fortaleza sem portão!
és o cortejo a solidão!
Te desfazes como as cinzas do teu cigarro!
Te botas de pé, apenas  para buscar uma queda maior!
te apegas, inutilmente, à construção do muro de tal fortaleza,
pois mal sabes que não se guarda beleza.
Não se vive um poema.
Abrigou a flor e não notou a falta da raiz.
E é como se diz, 
Regou-a com lágrimas, sem saber que nem água servia.
E agora vive a agonia de ter um jardim sem flor, semente ou pudor.
O tal fruto proibido, que era tão simbólico, se materializou.
E agora ecoa no vazio, teu nobre título de jardineiro de ilusões...



N. Santiago




terça-feira, 5 de agosto de 2014

Nunca direi a Deus, Adeus.

Eis que vislumbro o desapego a vaidade.
Eis que sou um nefasto que não sabe ver as horas.
E, por minuta de contrato, desgraçado da vida,
desconheço a minha idade.

Vivendo a doce mentira e desconhecendo a venenosa verdade.
Num passo torto e displicente por falta de reciprocidade,
ando torto por não saber andar
Manco um pouco por culpa do joelho que jamais se pôs ao chão para rezar.

Eis que vislumbro o desapego a aparência.
Eis que sou uma interrogação paradoxal,
sem nexo ou conjugação verbal

Porque quando perguntarem que sou,
digam que me defino, sem veemência,
como qualquer frase sobre a vida, terminada em reticência...


Nefasto Sortecída.



sábado, 2 de novembro de 2013

Cortejo ao Parquinho

Como uma criança num parquinho, 
viveu, intensamente, 
em pura imaginação e delírio 

se equilibrando  nos pontos altos e baixos 
da felicidade que só ele enxergara e 
refletira numa forma mais pura.

Como uma criança com um olhar evasivo 
onde só lhe cabe à mente , 
as ideias de nutrir o espaço e momento onde ele se vê o personagem principal, 
contracenando com  o mundo que ele criou.

Não há fardo,
precaução,
se quer existe razão.

Até a hora da queda...




                                                                                                                            Nefasto.










Fonte: Dadaísmo em Quadrinhos.

sábado, 5 de outubro de 2013

Prelúdio (Des)astral


Dorme bela minha,dorme
Enquanto preparo o mundo aqui fora de teus sonhos
para receber o nosso Tanto. 

Não se preocupe,
Vou cuidar de tudo.
Não, não vou fazer barulho.
Meu braço teu travesseiro
Meu corpo teu lençol

Esse tanto sentimento
Turbulento
,de um todo intenso,
é silencioso,
Sigiloso.

Suaviza teu cansaço,bela minha
Enquanto dedilho meu violão
tentando compor uma canção
narrando os sonhos que destrinchas sozinha

   Enquanto dormes.

Meu braço, teu travesseiro
Meu corpo, teu lençol
Meu coração, tua morada
Minha mente, as folhas de rascunhos e decalques da nossa obra de arte.

    A obra mais linda
que não se cabe em versos de definição.



Nefasto Sortecída



''..Deixa o que você calou e eu tanto precisava, 
   Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia, 
   Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava..''
                   (Oswaldo Montenegro)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Paralelamente Sorticída

Ele não queria escrever simples versos apaixonados.
Queria algo grande.
Queria, realmente, impressiona-la.
Queria impressionar o mundo versificando o que sentira.
Mas ele se sentia pequeno demais pra isso.
Tinha frio demais em sua barriga, para fingir calma, diante da ansiedade.
Ele não tinha mais balas.
Nem uma corda.
Ou remédios não receitados.
Pensou que talvez pudesse se acalmar com algum vício popular destrutivo.
Pensou que, talvez, pudesse tentar aprender a voar e esquecer que não tem asas.
Algum tipo de sonho fez-se presente muito mais do que a imensa vontade de partir.
Ele queria ficar.
Apesar de doer.
Apesar de Queimar
Apesar de agir na contramão de sua estrada.
Talvez não houvesse estrada.
Talvez ele acordasse.
Mas estava frio demais
e ele só queria um cobertor
Ele pensava se,talvez, ela o teria.
Ele pensava se, talvez, o passado pudesse virar apenas uma palavra num dicionário esquecido.
Pensava na poesia
e já não sorria.
Queria paz mas procurava confusão.
Mas ainda era setembro.
e ele queria parar o tempo ali.
Queria se esvaziar.
cada pedacinho vazio seu estava se preenchendo
e ele só queria sentar.
Descansar os joelhos,
Congelar os olhos dela num momento de encanto que ele não enxergara em si,
Gravar a foto daquele sorriso em suas retinas.
Ele queria um bom vinho.
Mas não queria mais tanta insanidade.
Queria controle, e não cobiçar algum tipo de falsa liberdade.
Queria livros mas não queria ler.
Talvez achasse que uma realidade alternativa era uma caverna muito escura
onde, talvez, ele tenha entrado por espontânea vontade.
Ele perguntava da chuva,
Da maré,
Da janela,
As coisas simples que ele complicava.
Ele queria de volta, talvez. 
Ele queria um papel e um lápis.
000Ele não queria escrever simples versos apaixonados.
Queria algo grande.
Mas não sabia onde ou como guardar, receber ou repassar.
Ele queria uma vida sobreposta na sua.


Menino Poeta


domingo, 4 de agosto de 2013

Cavaleiro Andante

Cavaleiro andante,
com sua armadura de sangue e de alma,
com sua face nem sempre tão calma,
entregou sua alma farta ao mar
e jurou pra sempre, sempre lutar!
Cavaleiro andante
andando os caminhos ,
derrubando moinhos,
de sonhos e de dor,
Sem guardar nenhum rancor,
do tudo e do nada.

cavaleiro andante,
esperando, após uma noite escura,
o sol nascer, com a  mais pura ternura,
pra aquecer o descaso cortado a navalha,
de sua indiferença pra viver o que é guerra e batalha



Notlim Santiago de Aguiar

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Decadence

Os Filhos da terra
Tentam mascarar o precipício
Com cortinas brancas de hospício.
Nesses dias ,já, tão fúteis, de 'guerra'..


 Notlim Santiago

segunda-feira, 17 de junho de 2013

E o nosso tempo é o infinito

A certo tempo atrás escrevi algo sobre a juventude (Juventude em Vão) e seu engajamento por mudanças coletivas.
Foram palavras sarcásticas, assumo,mas assumo também que, na situação, atual as mesmas estão prestes a entrarem goela a dentro.
Em uma era , onde o individualismo é algo, um tanto ,cultural, ver a tamanha influencia da internet
mesmo que, por muitos, seja considerado algo que tem a intenção de Ostentar uma imagem pseudointelectual nas redes sociais, mas de todo fato é uma boa influencia, pois está mobilizando todos à um pensamento coletivo.
É de tamanha beleza essa bola de neve que só tende a crescer. cada um fazendo sua parte
a cada esquina uma idéia de revolução.
Olhos , finalmente, abertos aos problemas e corpo e alma prontos para mudança.
Mudança.
Algo que já não se esperava, diante dessa sociedade à beira do colapso total.
E, Hoje, Abro mão de lirismo e sarcasmo para declarar minha tamanha felicidade em fazer parte dessa juventude que está prestes a testemunhar uma grande aglomeração de ideologias pregando a coletividade e a melhoria para um todo, não para um só. Mostrando que a semente está plantada.
Pronta para germinar.
Não importa a base ideológica, ou o calo que mais dói nos manifestantes. Essa festa é em prol da mudança e todos,juntos, querem isso. Querem uma coisa só!
A relevancia disso é maior do que se imagina. Não é uma simples revolta coletiva que vem facilmente Influenciando.É o despertar da essência coletiva. Que muitos, assim como eu, acreditava ter morrido.
Em um momento em que o solo de nossa pátria está, imensamente, fértil para essa semente. Onde somos sede de um evento internacional com relevância cultural indiscutível, a imprensa internacional com todos os olhos voltados para o que acontecer aqui. essa é a hora de pressionar. enquanto os senhores de terno tentam tapar os buracos com peneiras inicia-se a corrosão pacificamente destrutiva  dos monopólios e do que quer que seja o problema. Mas que seja ,de um todo, coletivo.

"Juntos somos mais,somos fortes.."



 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Morbidez (a)temporal

Os dias nublados têm sua beleza.
Sua morbidez (a)temporal
Que nos faz questionar a destreza
Para driblar um ,prematuro, ponto final.




Notlim












''Até pensei que era mais, por não saber que ainda sou capaz de acreditar..''

                                        (Maurício- Legião Urbana)

domingo, 26 de maio de 2013

Como a vida é, como a vida pode ser!

Mas que desassossego é esse ,afinal, nega ?
Que Inquietação é essa que aflinge os ,''semblantemente'', afortunados de paz interior?
Que dias são esses nega? que nos faz esquecer da velocidade dos doces momentos da vida
comum à todos
e nos deprecia diante de uma chuva, que ,no mais obvio clichê , nos rega a solidão ?

Que dor é essa nega,
que ninguém entende,
Ninguém,de fato, sente, mas,
À todos parece tão igual?

Que olhares são esses, nega?
Que nos faz levar o olhar, tão perdido quanto à gratidão,
ao chão..
Em um imprudente momento de uma pena, tão longe de alguma compaixão?

Aliás, nega..
Onde guardas aquele velho caderno de humildes anotações?
Aquele mesmo,
que tu chamavas de vida
Com letras corridas em tinta preta
que tu dissertavas tão sorridente
com um, costumeiro, olhar despretensioso às linhas seguintes?
ele tinha linhas?Acho que não
Era Simples..
É simples..
e ainda está cheio de páginas em branco
talvez com linha, talvez sem..
mas a vida é assim , nega..
escrita certa ou por linhas tortas
sempre pode ser reescrita
Afinal
O livro é teu!

Mas que desassossego é esse, afinal , nega?
E que força é essa que ele nos deixa quando se vai ?
E o sabor doce que ele nos deixa à boca?
Doce como a superação..
Doce como a vida pode ser...



Notlim Santiago




Dedico essas confusas palavras à quem possa fazer melhor proveito delas.
Alguém que sabe mais do que qualquer um 
que dor não se mede ou se compara mas se varia a cada ser.
A musa dotada dos reais conceitos que faltam nessa humanidade à beira do colapso.
 


"Viver é melhor que sonhar"
            (Belchior)